E-commerce brasileiro fatura R$ 125 bilhões no semestre: o que isso representa para sellers?

O e-commerce brasileiro faturou R$ 125 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 24,37%, segundo dados da ABIACOM. Entenda o que o avanço representa para sellers, estoque, margem e estratégias de venda

Equipe SellerandoPublicado em 21 de agosto de 2026Atualizado em 21 de agosto de 20268 min de leitura

E-commerce brasileiro

O e-commerce brasileiro faturou R$ 125 bilhões no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM). O resultado representa crescimento de 24,37% em relação ao mesmo período de 2025, quando o setor havia movimentado R$ 100,5 bilhões.

Entre janeiro e junho, foram registrados 242 milhões de pedidos, com ticket médio de R$ 517. Os números reforçam a consolidação das compras online na rotina dos consumidores e mostram um mercado que continua ampliando seu volume de vendas.

Para sellers, lojistas e operações de e-commerce, porém, crescimento do setor não significa vendas automáticas. Quanto maior o mercado, maior também tende a ser a disputa por preço, atenção, logística, publicidade e disponibilidade de estoque.

Principais números do e-commerce brasileiro no 1º semestre de 2026

De acordo com os dados da ABIACOM divulgados em agosto, o comércio eletrônico brasileiro registrou:

  • R$ 125 bilhões em faturamento;
  • crescimento de 24,37% em relação ao primeiro semestre de 2025;
  • 242 milhões de pedidos;
  • ticket médio de R$ 517;
  • aproximadamente 1,3 milhão de pedidos por dia no período.

Para o fechamento de 2026, a ABIACOM projeta faturamento superior a R$ 260 bilhões e aproximadamente 460,87 milhões de pedidos.

As projeções representam uma expectativa da entidade e não devem ser interpretadas como resultado já realizado.

Por que o e-commerce brasileiro continua crescendo?

Segundo a análise divulgada junto ao levantamento, o crescimento está relacionado à consolidação das compras online, à expansão das plataformas digitais e ao uso crescente de novas formas de comunicação e tecnologia.

Comprar online já faz parte da rotina

O avanço não depende apenas da entrada de novos consumidores. Pessoas que já compravam pela internet passaram a utilizar os canais digitais com maior frequência e para uma variedade maior de produtos.

Preço, conveniência, disponibilidade, variedade e facilidade de comprar sem deslocamento ajudam a sustentar esse comportamento.

Para sellers, isso amplia o universo potencial de consumidores, mas também aumenta a expectativa em relação à experiência completa: anúncio, preço, entrega, atendimento e pós-venda.

Novas plataformas ampliaram as possibilidades de venda

A ABIACOM também destaca a evolução do ecossistema digital e o surgimento de novas plataformas como fatores que ampliaram as oportunidades para empresas comercializarem produtos pela internet.

Para sellers, operar em diferentes canais pode reduzir a dependência de um único marketplace e ampliar o alcance.

Por outro lado, uma estratégia multicanal exige mais organização. Estoque, preços, pedidos e indicadores financeiros precisam permanecer sincronizados para evitar problemas como venda sem disponibilidade ou divergência entre canais.

Conteúdo participa cada vez mais da descoberta de produtos

O consumidor não necessariamente começa sua jornada dentro de um marketplace.

Segundo a análise divulgada pela ABIACOM, lojistas vêm ampliando investimentos em:

  • conteúdos para redes sociais;
  • vídeos;
  • transmissões ao vivo;
  • parcerias com influenciadores;
  • outras estratégias digitais voltadas à atração e conversão.

Isso significa que a descoberta de um produto pode acontecer no Instagram, TikTok, YouTube ou em outros ambientes antes que o consumidor chegue à página onde finalizará a compra.

Inteligência artificial ganha espaço no comércio eletrônico

A ABIACOM também aponta o uso crescente da inteligência artificial como um dos elementos que podem contribuir para a evolução da experiência de compra no segundo semestre.

No e-commerce, a IA pode participar de diferentes etapas, como busca, recomendação de produtos, criação de conteúdo, atendimento e otimização de campanhas.

Para sellers menores, essas ferramentas podem tornar algumas atividades mais acessíveis. Porém, tecnologia não elimina os fundamentos comerciais da operação: o produto ainda precisa ter demanda, preço adequado, disponibilidade e uma estrutura de custos sustentável.

Por que esse crescimento importa para sellers?

Um mercado que movimenta R$ 125 bilhões em apenas seis meses representa uma base relevante de consumo digital. Ao mesmo tempo, esse volume atrai marcas, distribuidores, importadores, fabricantes e novos vendedores.

Isso cria uma combinação importante: mais demanda potencial e mais concorrência pela mesma demanda.

Para transformar o crescimento do mercado em resultado, o seller precisa competir em diferentes dimensões:

  • produto;
  • preço;
  • prazo de entrega;
  • qualidade do anúncio;
  • reputação;
  • estoque;
  • atendimento;
  • publicidade;
  • condições comerciais.

Estar presente em um mercado crescente não é suficiente. É preciso construir uma operação capaz de aproveitar esse crescimento sem perder o controle da rentabilidade.

1. A seleção de produtos fica ainda mais importante

Quanto maior a quantidade de produtos e vendedores disponíveis online, mais importante se torna escolher corretamente o que colocar no estoque.

Antes de realizar uma compra para revenda, vale analisar:

  • demanda pelo produto;
  • histórico ou estimativa de vendas;
  • quantidade de concorrentes;
  • preço praticado no marketplace;
  • custo de aquisição;
  • comissões e tarifas;
  • custos logísticos;
  • publicidade;
  • impostos;
  • prazo para reposição;
  • capital necessário para manter o estoque;
  • margem estimada.

O objetivo não deve ser simplesmente encontrar produtos com muitas vendas. Um SKU com grande demanda também pode apresentar concorrência elevada e uma estrutura de custos pouco interessante.

2. Faturamento não é sinônimo de lucro

Os R$ 125 bilhões mostram o tamanho do mercado, mas esse mesmo princípio precisa ser aplicado com cuidado dentro da operação de cada seller.

Faturamento indica quanto foi vendido. Ele não mostra quanto permaneceu depois das despesas.

Uma análise simplificada pode considerar:

Preço de venda – custo do produto – impostos – comissões – logística – publicidade – devoluções e demais custos = resultado estimado.

Um produto pode liderar o faturamento da conta e, ao mesmo tempo, oferecer uma contribuição pequena para o resultado quando todos os custos são considerados.

Por isso, sellers devem analisar rentabilidade por SKU, e não apenas acompanhar o faturamento geral da operação.

3. Estoque e reposição passam a definir competitividade

Mais pedidos também significam maior necessidade de estoque disponível.

Quando um produto possui boa demanda, uma ruptura pode interromper vendas e campanhas e abrir espaço para concorrentes.

Antes de aumentar a compra de um SKU, é importante conhecer:

  • giro médio;
  • estoque disponível;
  • prazo de reposição do fornecedor;
  • quantidade mínima de compra;
  • frequência possível de reposição;
  • capital necessário para recomprar a mercadoria;
  • risco de sazonalidade;
  • risco de descontinuação.

Um produto com forte demanda perde parte de sua atratividade quando o seller não consegue manter uma reposição previsível.

4. Vender em diferentes canais pode reduzir dependência

A expansão do comércio eletrônico amplia as possibilidades para estratégias multicanal.

Um seller pode distribuir sua operação entre Mercado Livre, Amazon, Shopee, Magalu, loja própria e outros canais compatíveis com seu negócio.

A diversificação pode reduzir a dependência de uma única plataforma. Porém, quando não existe controle adequado, também pode gerar:

  • venda sem estoque;
  • divergência de preços;
  • cancelamentos;
  • atrasos de expedição;
  • problemas de reputação;
  • dificuldade de conciliação financeira.

A quantidade de canais não deve crescer mais rapidamente do que a capacidade operacional de administrá-los.

5. Publicidade precisa fazer parte da conta

Quanto maior a concorrência, maior pode ser a necessidade de investir em aquisição de tráfego dentro e fora dos marketplaces.

Mercado Ads, Amazon Ads, redes sociais, buscadores e outras formas de mídia podem participar da jornada de compra.

Esse investimento precisa ser analisado junto com a margem do produto.

Não basta saber que determinado anúncio vende. O seller também deve saber quanto custa gerar essas vendas e quanto sobra depois da publicidade.

6. Conteúdo se torna parte da estratégia de aquisição

Vídeos, demonstrações, tutoriais, avaliações e conteúdos educativos podem ajudar um consumidor a descobrir e compreender um produto antes da compra.

Isso é especialmente relevante para itens menos conhecidos ou categorias nas quais o consumidor precisa entender diferenças de aplicação, características ou benefícios.

Porém, gerar atenção sem possuir estoque ou uma oferta competitiva pode apenas transferir tráfego para concorrentes.

Conteúdo e aquisição precisam estar conectados a uma operação preparada para converter a demanda.

O crescimento do setor torna produtos populares automaticamente boas oportunidades?

Não. O crescimento geral do e-commerce mostra expansão do mercado, mas não permite concluir que todos os produtos ou categorias apresentam a mesma oportunidade.

Um SKU pode ter grande volume de vendas e também apresentar:

  • muitos vendedores concorrentes;
  • pressão intensa de preço;
  • publicidade mais cara;
  • margem reduzida;
  • dificuldade de reposição.

Em outras situações, produtos com volume intermediário podem oferecer uma combinação mais adequada de demanda e concorrência para determinado seller.

Por isso, indicadores do mercado devem servir como ponto de partida para análises mais específicas.

Uma forma de aprofundar essa pesquisa é consultar os produtos mais vendidos no Mercado Livre na Sellerando e avaliar individualmente quais itens podem fazer sentido para a estratégia da operação.

Como os sellers podem aproveitar o crescimento do e-commerce?

Diante do avanço registrado no primeiro semestre, algumas ações ganham prioridade:

  1. Identifique produtos e categorias com demanda: não compre apenas com base em tendências gerais.
  2. Calcule a rentabilidade antes da compra: inclua todos os custos relevantes.
  3. Compare preço de aquisição e preço de venda: verifique quanto espaço realmente existe para margem.
  4. Planeje a reposição: considere prazo, estoque e condições do fornecedor.
  5. Evite concentração excessiva: tanto em poucos produtos quanto em um único canal de vendas.
  6. Controle a operação multicanal: estoque e pedidos precisam permanecer sincronizados.
  7. Meça publicidade por SKU: identifique quais produtos suportam melhor o investimento em aquisição.
  8. Melhore anúncios e conteúdo: informação clara ajuda o consumidor a compreender a oferta.
  9. Monitore devoluções e cancelamentos: volume de vendas sem qualidade operacional pode reduzir a rentabilidade.
  10. Priorize resultado, não somente faturamento: vender mais não significa automaticamente ganhar mais.

O comentário da Sellerando

Na visão da Sellerando, o crescimento de 24,37% registrado pelo e-commerce brasileiro confirma que existe uma oportunidade relevante para empresas que vendem online. Mas também mostra que o mercado está entrando em uma etapa cada vez mais profissionalizada.

O desafio já não é simplesmente começar a vender pela internet. É construir uma operação capaz de crescer com margem, estoque, eficiência e capacidade de reposição.

Quanto maior o número de consumidores comprando online, maior também tende a ser a presença de vendedores disputando essas compras.

Por isso, parte da vantagem competitiva começa antes da publicação do anúncio: começa na decisão sobre o que comprar, de quem comprar e em quais condições.

Na Sellerando, empresas podem descobrir produtos, encontrar fornecedores, comparar oportunidades e realizar pedidos diretamente com os fornecedores responsáveis. Cada fornecedor é responsável pela venda, pelo faturamento e pelo envio de seus produtos, enquanto a Sellerando facilita, organiza e acompanha o processo de compra B2B.

Uma compra mal analisada pode resultar em faturamento sem rentabilidade. Uma operação que combina produto, condição de aquisição, demanda e reposição possui mais elementos para aproveitar o crescimento do mercado de forma sustentável.

Conclusão

O faturamento de R$ 125 bilhões no primeiro semestre de 2026 reforça a dimensão alcançada pelo comércio eletrônico brasileiro.

Segundo a ABIACOM, foram 242 milhões de pedidos no período, com ticket médio de R$ 517, e a projeção da entidade aponta para faturamento superior a R$ 260 bilhões no fechamento do ano.

Para sellers, o cenário oferece mais consumidores, mais pedidos e mais possibilidades de venda. Ao mesmo tempo, aumenta a concorrência e exige decisões mais precisas sobre produto, estoque, publicidade, logística e margem.

O crescimento do mercado cria espaço. A capacidade de transformar esse espaço em resultado depende da qualidade da operação.

Mais margem começa na compra. Compre melhor. Venda mais.

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Perguntas frequentes

Quanto o e-commerce brasileiro faturou no primeiro semestre de 2026?

Segundo a ABIACOM, o comércio eletrônico brasileiro faturou R$ 125 bilhões entre janeiro e junho de 2026, crescimento de 24,37% em relação aos R$ 100,5 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Quantos pedidos foram feitos no e-commerce brasileiro no período?

O levantamento registrou 242 milhões de pedidos no primeiro semestre de 2026, com ticket médio de R$ 517.

Qual é a projeção para o e-commerce brasileiro em 2026?

A ABIACOM projeta faturamento superior a R$ 260 bilhões e aproximadamente 460,87 milhões de pedidos até o final de 2026. Trata-se de uma projeção, e não de um resultado já realizado.

O crescimento do e-commerce significa mais vendas para todos os sellers?

Não. O crescimento amplia a demanda potencial do setor, mas sellers ainda disputam consumidores em preço, estoque, logística, publicidade, reputação e qualidade da oferta. O desempenho precisa ser analisado por produto e canal.

Pergunta 5: O que está impulsionando o crescimento do e-commerce?

A análise da ABIACOM destaca a consolidação das compras online, a expansão das plataformas de venda, o uso crescente de conteúdo e influenciadores e a adoção de inteligência artificial na experiência de compra.

Fontes

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