Casas Bahia em crise enquanto Mercado Livre e Shopee avançam: o varejo tradicional está ficando para trás?
A Casas Bahia pediu recuperação judicial para reestruturar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos enquanto o e-commerce, Mercado Livre e Shopee continuam crescendo. O contraste não prova que um modelo venceu o outro, mas revela uma transformação na forma como estoque, logística, capital e risco são distribuídos no varejo.
Equipe SellerandoPublicado em 25 de agosto de 2026Atualizado em 25 de agosto de 202613 min de leitura

Uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro acaba de entrar em uma das fases mais delicadas de sua história.
Em 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial com o objetivo de reestruturar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos.
O acontecimento chama atenção por si só. Mas existe um detalhe que torna essa história ainda mais relevante para quem vende produtos no Brasil: as compras não simplesmente desapareceram.
Enquanto o varejo brasileiro enfrenta uma sequência de resultados fracos, o e-commerce continua crescendo e plataformas como Mercado Livre e Shopee seguem registrando expansão expressiva.
Isso não significa que Mercado Livre ou Shopee causaram a crise da Casas Bahia. Também não significa que as lojas físicas estão desaparecendo ou que marketplaces sejam modelos livres de risco.
O contraste aponta para algo maior: o varejo está mudando a forma como organiza estoque, capital, distribuição, tecnologia e risco.
E existe uma consequência especialmente importante para sellers.
Os marketplaces não eliminaram o risco de comprar estoque. Em grande parte das operações 3P, eles ajudaram a distribuir esse risco entre milhares de vendedores.
Casas Bahia pede recuperação judicial com R$ 17,3 bilhões em passivos
O Grupo Casas Bahia comunicou oficialmente ao mercado o protocolo do pedido de recuperação judicial em 16 de agosto.
Segundo informações apresentadas na petição e divulgadas pela imprensa especializada, o processo envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos.
A maior parcela, cerca de R$ 16,4 bilhões, corresponde a créditos quirografários, categoria que inclui dívidas sem garantia real e pode envolver fornecedores e instituições financeiras.
O pedido não deve ser interpretado como encerramento automático das atividades da Casas Bahia. A recuperação judicial é um instrumento utilizado para buscar reorganização financeira e negociação com credores enquanto a empresa tenta preservar sua operação.
Também seria simplista explicar a crise por uma única causa.
O Grupo enfrenta fatores próprios relacionados a endividamento, custo financeiro, capital de giro, crédito, reestruturação e desempenho de suas operações. Portanto, não existe base para afirmar que a expansão dos marketplaces seja a responsável direta pelo pedido.
O valor dessa comparação está em outro lugar: observar como diferentes modelos de varejo estão atravessando o mesmo ambiente econômico.
O varejo está caindo — mas o e-commerce continua crescendo
Os dados mais recentes do Índice Cielo do Varejo Ampliado ajudam a entender o contexto.
Em julho de 2026, o varejo brasileiro registrou queda de 1,4% em termos reais na comparação com julho de 2025.
Foi o 14º mês consecutivo sem crescimento real no indicador.
O desempenho também variou bastante de acordo com o tipo de consumo:
- Bens não duráveis: +1,7% em termos reais;
- Bens duráveis e semiduráveis: -4,8%;
- Serviços: -6,3%.
A queda dos bens duráveis e semiduráveis é especialmente relevante quando observamos grandes varejistas historicamente ligados a categorias como móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e outros produtos cuja compra pode ser adiada pelo consumidor.
Ao mesmo tempo, existe outro movimento acontecendo.
O faturamento do e-commerce avançou 9,7% em termos nominais em julho, enquanto as lojas físicas cresceram apenas 1,3% nominalmente.
Existe uma ressalva metodológica importante: os 9,7% do e-commerce e 1,3% das lojas físicas são números nominais, sem descontar a inflação. Já a queda de 1,4% do varejo é um resultado real, após o efeito da inflação.
Portanto, não é correto colocar +9,7% e -1,4% lado a lado como se fossem exatamente o mesmo indicador.
O que os dados mostram é que o canal digital continua apresentando uma expansão nominal muito superior ao varejo físico mesmo em um ambiente de consumo pressionado.
O consumidor brasileiro está comprando menos ou comprando diferente?
A resposta provavelmente passa pelas duas coisas, dependendo da categoria.
A própria Cielo interpreta os resultados como sinal de um consumidor mais seletivo.
As famílias continuam comprando, mas estão reorganizando prioridades.
Bens associados a necessidades mais recorrentes apresentaram maior resistência. Compras que podem ser adiadas sofreram mais pressão.
O ambiente digital possui características especialmente relevantes para esse comportamento.
Online, o consumidor consegue comparar rapidamente:
- preços;
- vendedores;
- avaliações;
- prazo de entrega;
- frete;
- formas de pagamento;
- promoções;
- produtos semelhantes.
A Cielo relaciona parte do desempenho do digital justamente à facilidade de pesquisar, comparar preços e buscar condições comerciais mais vantajosas.
Isso cria um consumidor com mais informação e, ao mesmo tempo, aumenta a pressão competitiva sobre quem vende.
O consumidor não precisa deixar de comprar para mudar o varejo. Basta mudar onde pesquisa, como compara e de quem decide comprar.
Enquanto isso, Mercado Livre continua acelerando no Brasil
O segundo trimestre de 2026 oferece um contraste importante.
O Mercado Livre registrou aproximadamente US$ 21,9 bilhões em GMV — o valor bruto das mercadorias comercializadas pela plataforma — no período.
O crescimento foi de:
- 44% em dólares sobre o segundo trimestre de 2025;
- 36% em moeda constante.
No Brasil, o desempenho foi ainda mais forte em alguns indicadores.
O GMV brasileiro avançou 39% em moeda constante, enquanto a quantidade de itens vendidos aumentou 56% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Regionalmente, o Mercado Livre atingiu cerca de 89 milhões de compradores ativos únicos no trimestre, crescimento de 26%.
Esses resultados não significam que toda empresa vendendo no Mercado Livre cresceu 39% ou 56%.
São números agregados da plataforma.
Mas mostram que o ecossistema continua atraindo compradores e aumentando o número de transações mesmo em um varejo brasileiro pressionado.
Por que um ecossistema como o Mercado Livre consegue crescer?
Não existe uma explicação única.
O Mercado Livre combina diferentes elementos dentro da mesma operação:
- marketplace;
- milhares de vendedores;
- grande variedade de produtos;
- logística própria e de parceiros;
- fulfillment;
- pagamentos;
- crédito;
- publicidade;
- tecnologia;
- programas de fidelização;
- sistemas de reputação.
Parte importante da oferta, porém, não precisa ser comprada antecipadamente pelo Mercado Livre.
Em uma operação 3P, quem decide comprar determinado produto para revendê-lo é o seller.
Isso muda a distribuição do capital e do risco dentro da cadeia.
Shopee também cresce acima do mercado
O Mercado Livre não é o único sinal dessa transformação.
No segundo trimestre de 2026, a Shopee registrou globalmente:
- US$ 38,3 bilhões em GMV;
- crescimento de 28,4% sobre o ano anterior;
- 4,2 bilhões de pedidos;
- crescimento de 27,5% no número de pedidos.
A administração da Sea, controladora da Shopee, também destacou que o Brasil continuou sendo seu mercado de crescimento mais acelerado durante o trimestre e que o avanço do GMV voltou a superar o crescimento mais amplo do mercado brasileiro.
A empresa vem ampliando investimentos em logística e fulfillment no país, além de aumentar a presença de marcas oficiais e trabalhar para reduzir o tempo de entrega.
Novamente, isso não demonstra que uma plataforma seja responsável pelas dificuldades de uma varejista específica.
O que demonstra é que mais de um grande ecossistema digital continua crescendo em um mercado no qual parte do varejo tradicional enfrenta forte pressão.
O que Mercado Livre e Shopee fazem diferente?
A resposta mais superficial seria dizer que são empresas digitais.
Mas a diferença estrutural é mais interessante do que isso.
Durante décadas, grandes redes varejistas construíram operações que podiam concentrar grande parte da cadeia dentro da própria companhia.
Um modelo desse tipo pode reunir:
- compra de grandes lotes de mercadorias;
- capital próprio ou financiado;
- estoque;
- centros de distribuição;
- lojas;
- funcionários;
- crédito ao consumidor;
- logística;
- risco de mercadoria não vendida.
Marketplaces utilizam uma arquitetura diferente.
A plataforma pode concentrar:
- audiência;
- tecnologia;
- busca e recomendação;
- meios de pagamento;
- publicidade;
- reputação;
- infraestrutura logística;
- serviços financeiros.
Enquanto uma parcela relevante da oferta pode ficar distribuída entre:
- sellers;
- marcas;
- distribuidores;
- lojistas;
- fabricantes;
- operadores independentes.
É importante fazer uma ressalva: Mercado Livre, Shopee e outros marketplaces também investem bilhões em centros logísticos, tecnologia, fulfillment e infraestrutura. Algumas plataformas também possuem operações próprias de produtos ou modelos 1P.
Portanto, não é correto dizer que marketplaces não possuem ativos, estoque ou risco.
A diferença é que, no modelo 3P, uma parcela muito maior da decisão sobre quais mercadorias comprar pode ser descentralizada entre milhares ou milhões de vendedores.
Estoque
Uma grande varejista precisa decidir quais produtos colocar em sua própria operação e em qual quantidade.
Em um marketplace, diferentes sellers podem tomar decisões independentes sobre o mesmo produto.
Se um item vende mais, novos vendedores podem aumentar a oferta.
Se vende menos, diferentes sellers absorvem individualmente os efeitos de suas decisões de compra.
Distribuição
O marketplace consegue reunir estoques de múltiplas empresas dentro de uma única experiência de busca para o consumidor.
A variedade percebida pelo cliente pode ser muito maior do que o estoque pertencente à própria plataforma.
Logística
Plataformas podem oferecer infraestrutura compartilhada de fulfillment, coleta, entrega e devoluções.
Isso permite que vendedores menores acessem redes logísticas que seriam muito mais difíceis de construir individualmente.
Tecnologia
Busca, recomendação, pagamentos, anúncios, avaliações e sistemas antifraude podem ser utilizados por uma enorme rede de vendedores sem que cada empresa precise desenvolver tudo do zero.
Capital
Talvez essa seja uma das diferenças mais importantes.
No marketplace 3P, não é necessariamente a plataforma que precisa financiar todo o estoque apresentado ao consumidor.
Esse capital pode estar distribuído entre milhares de sellers.
E é exatamente nesse ponto que aparece a principal lição para quem vende online.
Casas Bahia não é uma empresa puramente física
Seria incorreto transformar essa comparação em uma narrativa de “empresa offline antiga contra empresas digitais modernas”.
O próprio Grupo Casas Bahia possui uma operação omnicanal, com lojas físicas, e-commerce, marketplace, serviços financeiros e infraestrutura logística.
Em junho de 2026, o site de Relações com Investidores registrava 1.034 lojas no Brasil.
Além disso, em março de 2026, o Grupo anunciou uma parceria para começar a atuar como seller 1P dentro da Amazon, ampliando a distribuição de produtos da Casas Bahia para mais um marketplace.
A própria companhia vinha buscando ampliar sua presença digital.
Por isso, a comparação relevante não é:
loja física antiga × marketplace moderno.
É:
estruturas econômicas diferentes disputando um consumidor que mudou a maneira de pesquisar, comparar, financiar e receber produtos.
Os marketplaces eliminaram o risco do varejo?
Não.
E esse talvez seja o ponto mais importante de toda a discussão.
Os marketplaces reduziram diversas barreiras para entrar no comércio.
Hoje, um seller pode acessar:
- milhões de consumidores;
- infraestrutura de pagamento;
- publicidade;
- logística;
- sistemas de reputação;
- tecnologia de catálogo;
- atendimento e ferramentas operacionais.
Décadas atrás, construir parte dessa estrutura exigiria muito mais capital.
Mas existe uma coisa que o marketplace não faz automaticamente pelo seller:
decidir qual estoque ele deve comprar.
Milhões de produtos podem aparecer em um marketplace, mas alguém precisou financiar grande parte dessas mercadorias.
Algum seller decidiu:
- qual produto comprar;
- de qual fornecedor;
- quanto pagar;
- quantas unidades adquirir;
- quanto capital imobilizar;
- qual margem aceitar;
- quando realizar a reposição.
Se essa decisão estiver errada, a existência do marketplace não elimina o problema.
O risco de estoque que antes podia ficar altamente concentrado em grandes redes hoje também está distribuído entre milhares de sellers.
O que a crise de uma gigante pode ensinar a um pequeno seller?
Não seria correto utilizar a crise da Casas Bahia para afirmar que os mesmos fatores financeiros se aplicam diretamente a um pequeno vendedor.
As escalas e estruturas são completamente diferentes.
Mas algumas disciplinas fundamentais do varejo servem para operações de qualquer tamanho.
1. Vender muito não corrige uma compra ruim
Faturamento não é sinônimo de rentabilidade.
Um seller pode vender centenas de unidades e descobrir que comissão, logística, publicidade, impostos e custo de aquisição consumiram quase todo o resultado.
O volume apenas multiplica a economia unitária existente.
Se cada venda é saudável, escala pode ajudar.
Se cada venda é ruim, escala também pode ampliar o problema.
2. Estoque é dinheiro parado até virar venda
Quando uma empresa compra R$ 50 mil em mercadorias, esse valor deixa de estar disponível no caixa e passa a estar armazenado na forma de produtos.
O capital só volta quando a mercadoria gira e o pagamento da venda é recebido.
Quanto mais lenta a venda, maior o período em que o dinheiro permanece imobilizado.
3. Giro importa tanto quanto margem
Um produto com margem aparentemente excelente pode ser pouco interessante se levar muitos meses para vender.
Outro SKU com margem menor e reposição frequente pode devolver o capital para a operação várias vezes durante o mesmo período.
Por isso, analisar margem sem giro apresenta apenas parte da realidade.
4. Crescimento financiado precisa ser sustentável
Crédito pode ajudar uma empresa a financiar estoque e crescer.
Mas existe uma relação entre:
custo do dinheiro + prazo de pagamento + giro do estoque + margem.
Se o estoque demora mais para girar do que o prazo necessário para pagar sua compra ou financiamento, a pressão sobre o caixa aumenta.
5. Canal não substitui gestão
Estar no Mercado Livre, Shopee, Amazon ou qualquer outro marketplace não transforma automaticamente um produto em uma boa oportunidade.
A plataforma pode fornecer demanda potencial.
A rentabilidade depende da operação.
Vender online ficou mais fácil. Comprar bem continua difícil.
Essa é uma das grandes transformações provocadas pelos marketplaces.
Um pequeno seller pode utilizar hoje uma infraestrutura que antes estaria disponível principalmente para organizações de grande porte.
Marketplace, pagamento digital, publicidade e fulfillment reduziram várias barreiras.
Mas antes do primeiro anúncio existe uma decisão que continua sendo responsabilidade de quem vende:
o que comprar.
Antes de colocar dinheiro em estoque, o seller precisa entender:
- preço de aquisição;
- preço provável de venda;
- demanda;
- número de concorrentes;
- taxas do marketplace;
- impostos;
- frete;
- embalagem;
- publicidade;
- margem;
- giro;
- prazo de reposição;
- confiabilidade do fornecedor.
Para acompanhar especificamente mudanças nas grandes plataformas, vale consultar os conteúdos da Sellerando sobre marketplaces.
Na etapa anterior à venda, a categoria de fornecedores e compras B2B reúne conteúdos sobre abastecimento, fornecedores e decisões de compra.
O que sellers devem observar antes de aumentar estoque?
Um seller pode aproveitar a expansão dos marketplaces sem assumir que todo aumento de estoque é positivo.
Antes de comprar mais, vale responder pelo menos a estas perguntas:
- O produto está realmente vendendo? Analise dados recentes e não somente percepções ou tendências gerais.
- O preço continua competitivo? Compare as ofertas existentes no canal.
- Qual é a margem completa? Inclua compra, comissão, frete, impostos, publicidade, embalagem e devoluções.
- Quantos dias de estoque existem? Entenda a cobertura atual antes de realizar outra compra.
- Qual é o giro? Saiba em quanto tempo o capital tende a voltar.
- Quanto tempo leva para repor? Um fornecedor com estoque disponível pode permitir compras menores e mais frequentes.
- Quanto caixa ficará comprometido? Evite concentrar recursos demais em um único SKU.
- Existe sazonalidade? Uma tendência atual pode não se repetir durante todo o ano.
- Existe espaço para desconto? Margem apertada reduz a capacidade de reagir à concorrência.
- O fornecedor é confiável? Preço baixo perde valor quando a reposição é imprevisível ou a operação apresenta problemas.
O impacto de estoque e reposição também pode ser aprofundado nos conteúdos de logística e pagamentos.
Já decisões sobre rentabilidade, caixa e precificação estão relacionadas aos conteúdos de gestão e crescimento.
Onde a Sellerando entra nessa transformação?
A transformação dos marketplaces facilita a etapa de venda. A Sellerando atua em outra parte crítica da operação: a compra B2B que abastece o seller.
Na Sellerando, empresas podem descobrir produtos, encontrar fornecedores, comparar oportunidades e realizar pedidos diretamente com os fornecedores responsáveis.
Os fornecedores definem suas condições comerciais e são responsáveis pela venda, pelo faturamento e pelo envio dos produtos. A Sellerando facilita, organiza e acompanha o processo de compra.
A lógica é especialmente relevante em um mercado no qual os sellers passaram a assumir uma parcela importante da decisão sobre estoque.
O marketplace pode mostrar o produto para milhões de consumidores.
Mas, antes disso, alguém precisa decidir se vale a pena comprá-lo.
O comentário da Sellerando
Na visão da Sellerando, o contraste entre a crise recente da Casas Bahia e a expansão de Mercado Livre e Shopee não deve ser lido como uma vitória definitiva do marketplace sobre o varejo tradicional.
O que está acontecendo é uma reorganização muito mais profunda.
Audiência, tecnologia, pagamentos e logística podem ser concentrados por grandes plataformas. A oferta e o estoque, por outro lado, podem ser distribuídos por uma rede cada vez maior de sellers, marcas e distribuidores.
Isso reduziu as barreiras para começar a vender.
Mas também transformou cada seller em uma pequena operação de varejo responsável por decisões de capital.
Cada compra exige responder:
qual produto, qual fornecedor, qual quantidade, qual custo, qual giro e qual margem?
A plataforma ajuda a vender. Ela não elimina o impacto financeiro de comprar errado.
O canal de venda mudou. O risco de uma decisão ruim de estoque não desapareceu.
Conclusão: o varejo mudou, mas a matemática da compra continua existindo
A crise de uma das marcas mais tradicionais do varejo brasileiro acontece justamente enquanto novas formas de comércio digital continuam crescendo.
Isso não prova que um modelo morreu e outro venceu.
A Casas Bahia possui fatores financeiros e operacionais próprios, além de já atuar no comércio eletrônico, operar marketplace e expandir sua presença em plataformas de terceiros.
Mercado Livre e Shopee, por sua vez, também possuem enormes estruturas, investimentos logísticos, custos e riscos.
O que os números mostram é uma mudança na organização do varejo.
Hoje, um seller pode alcançar milhões de consumidores sem construir centenas de lojas. Pode utilizar fulfillment sem possuir uma rede logística nacional. Pode anunciar para grandes audiências sem desenvolver sua própria plataforma de tecnologia.
Mas nenhuma dessas ferramentas elimina uma das decisões mais difíceis do comércio:
comprar bem.
Escolher o produto errado, pagar caro demais ou comprar unidades além da demanda continua produzindo consequências, esteja a venda acontecendo em uma loja física ou dentro do maior marketplace do país.
O lugar onde a venda acontece mudou. A importância de comprar o produto certo, pelo preço certo e na quantidade certa, não.
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Ver mais vendidosPerguntas frequentes
A Casas Bahia pediu recuperação judicial?
Sim. O Grupo Casas Bahia registrou em seu site de Relações com Investidores um fato relevante referente ao pedido de recuperação judicial em 16 de agosto de 2026. O processo envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos.
Mercado Livre e Shopee causaram a crise da Casas Bahia?
Não há evidência para essa conclusão. A Casas Bahia enfrenta fatores financeiros e operacionais próprios. O crescimento dos marketplaces acontece simultaneamente e ajuda a analisar mudanças estruturais no varejo, mas não estabelece uma relação simples de causa e efeito.
Quanto o Mercado Livre cresceu no segundo trimestre de 2026?
O Mercado Livre registrou US$ 21,9 bilhões em GMV, alta de 44% em dólares e 36% em moeda constante. No Brasil, o GMV cresceu 39% em moeda constante e os itens vendidos avançaram 56%.
Quanto a Shopee cresceu no segundo trimestre de 2026?
A Shopee registrou US$ 38,3 bilhões em GMV global, crescimento de 28,4%. Os pedidos chegaram a 4,2 bilhões, alta de 27,5% sobre o ano anterior.
O crescimento dos marketplaces significa que lojas físicas estão acabando?
Não. Lojas físicas continuam relevantes e muitas empresas trabalham de forma omnicanal. A mudança está na combinação entre lojas, e-commerce, marketplaces, logística e novos hábitos de compra.
Marketplaces eliminam o risco de estoque dos sellers?
Não. Em operações 3P, o seller continua responsável por decidir quais produtos comprar, quanto investir, qual quantidade manter e quando repor. A plataforma pode facilitar a venda e a logística, mas não elimina o risco de uma compra mal planejada.
Fontes
- Grupo Casas Bahia — Arquivamentos CVM e Fato Relevante de 16 de agosto de 2026
- Grupo Casas Bahia — Página de Recuperação Judicial
- InfoMoney — Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões
- Cielo — ICVA aponta: varejo cai há 14 meses seguidos e tem pior julho desde 2020


