Pix entra em nova fase: o que muda para sellers e compradores B2B?

O Banco Central apresentou uma nova agenda de evolução do Pix, com iniciativas relacionadas a crédito, cobranças, segurança e integração internacional. Entenda o que essas mudanças podem representar para sellers, lojistas e compradores B2B.

Equipe SellerandoPublicado em 24 de agosto de 20269 min de leitura

Pix

O tamanho alcançado pelo sistema ajuda a explicar por que essa evolução importa para empresas. Somente em 2025, foram realizadas quase 80 bilhões de transações, movimentando mais de R$ 35 trilhões. Ao final do período analisado, 12,8 milhões de empresas já haviam realizado ou recebido pelo menos uma transação via Pix.

Para sellers, lojistas e compradores B2B, o ponto mais importante é que o Pix está deixando de ser apenas uma maneira rápida de transferir dinheiro. A infraestrutura passa a ganhar novas aplicações relacionadas a cobranças empresariais, crédito, segurança, integração financeira e, no futuro, interoperabilidade internacional.

Quais são os principais números do Pix?

Segundo o Banco Central, o Pix consolidou uma escala significativa entre 2023 e 2025.

  • quase 80 bilhões de transações realizadas em 2025;
  • mais de R$ 35 trilhões movimentados ao longo do ano;
  • 148 milhões de pessoas físicas já haviam usado o Pix;
  • 12,8 milhões de empresas haviam enviado ou recebido pelo menos um Pix;
  • mais de 920 milhões de chaves estavam cadastradas ao final do período analisado.

Esses números mostram que o Pix deixou de ser apenas uma alternativa aos meios de pagamento tradicionais e passou a ocupar uma posição relevante na infraestrutura financeira utilizada por consumidores e empresas.

O que está mudando no Pix?

O relatório do Banco Central apresenta uma agenda que vai além do pagamento instantâneo realizado entre duas contas.

Entre as frentes de evolução estão:

  • novas experiências de cobrança;
  • maior integração com outros serviços financeiros;
  • desenvolvimento do Pix em Garantia;
  • aprimoramentos de segurança;
  • integração com Open Finance;
  • iniciativas relacionadas à interoperabilidade internacional;
  • evoluções relacionadas a cobranças empresariais e duplicatas.

É importante separar as funcionalidades que já estão disponíveis das iniciativas que ainda estão em desenvolvimento ou estudo. Nem todos esses recursos podem ser utilizados atualmente por empresas.

Pix em Garantia pode aproximar pagamentos e crédito empresarial

Uma das iniciativas mais relevantes para empresas é o Pix em Garantia.

A proposta do Banco Central é permitir que fluxos futuros de recebimentos pelo Pix sejam utilizados como garantia em operações de crédito.

Na prática, uma empresa que recebe parte relevante de suas vendas por Pix poderá, no futuro, utilizar esses recebíveis esperados como elemento de garantia ao buscar financiamento.

Segundo o Banco Central, o objetivo é melhorar a qualidade da garantia utilizada na operação e criar condições para reduzir o custo do crédito, especialmente para empresas nas quais os recebimentos via Pix possuem participação relevante.

A funcionalidade, porém, ainda está em desenvolvimento. Portanto, não deve ser tratada como uma linha de crédito já disponível para qualquer seller.

O Pix em Garantia significa crédito mais barato para todos?

Não.

Mesmo quando a infraestrutura estiver disponível, o Pix em Garantia não representará aprovação automática de crédito nem uma taxa padronizada para todas as empresas.

As condições ainda dependerão de fatores como:

  • instituição financeira;
  • análise de crédito;
  • volume e histórico de recebimentos;
  • risco da empresa;
  • valor solicitado;
  • prazo;
  • demais critérios da operação financeira.

O que pode mudar é a disponibilidade de uma nova forma de garantia baseada no fluxo de recebimentos da empresa.

Por que o Pix em Garantia pode ser relevante para sellers?

Uma das maiores necessidades de uma operação de marketplace é capital de giro.

O seller compra mercadorias, mantém estoque, vende, recebe e depois precisa recomprar os produtos para continuar a operação.

Quando o giro aumenta, a necessidade de capital também pode aumentar.

Um produto que vende rapidamente pode consumir o estoque antes que a empresa tenha recursos disponíveis para realizar uma nova compra. Nesse cenário, acesso a crédito pode participar do financiamento da reposição.

O Pix em Garantia cria, pelo menos conceitualmente, uma conexão entre quatro etapas:

vender → receber via Pix → acessar crédito utilizando recebíveis como garantia → financiar necessidades da operação.

Isso não significa que utilizar crédito para comprar estoque seja sempre uma boa decisão. O custo do financiamento precisa ser comparado com a margem, o giro e a previsibilidade de venda do produto.

Novas cobranças podem ampliar o uso do Pix entre empresas

Outra frente relevante é a evolução das ferramentas de cobrança.

O Banco Central já possui o Pix Cobrança e vem trabalhando em novas possibilidades para integrar o sistema a processos financeiros mais completos.

Entre os temas da agenda está a cobrança híbrida, que permite associar em uma mesma cobrança a possibilidade de pagamento via Pix e por outros mecanismos, como boleto.

Para empresas, esse tipo de evolução pode aumentar a flexibilidade na gestão dos recebimentos.

Uma relação B2B frequentemente possui características diferentes de uma compra de varejo. Pedidos podem envolver valores maiores, faturamento, vencimentos futuros e processos internos de contas a pagar e receber.

Quanto mais o Pix se integrar a essas rotinas, maior poderá ser sua utilização não apenas no checkout de uma loja virtual, mas também em processos financeiros entre empresas.

Pix e duplicatas também entram na agenda

O Banco Central também vem estudando a utilização da infraestrutura do Pix em processos associados a duplicatas.

A ideia amplia a relação entre pagamento instantâneo e instrumentos utilizados tradicionalmente nas relações comerciais entre empresas.

Para compradores e fornecedores B2B, esse movimento merece acompanhamento porque pode ajudar a tornar cobrança, conciliação e liquidação mais integradas no futuro.

Entretanto, essa frente ainda faz parte da agenda evolutiva. Empresas não devem reorganizar processos financeiros supondo que todas essas funcionalidades já estejam disponíveis.

Pix internacional pode facilitar compras de fornecedores estrangeiros?

O Banco Central também inclui interoperabilidade internacional entre os temas estudados para a evolução do Pix.

A ideia de longo prazo é permitir maior conexão entre o sistema brasileiro e infraestruturas ou serviços de pagamento de outros países.

Se esse tipo de integração avançar, poderá ser relevante para operações como:

  • remessas internacionais;
  • pagamentos entre empresas;
  • compras de bens e serviços no exterior;
  • outras transações transfronteiriças.

Para sellers que importam produtos ou empresas que compram de fornecedores estrangeiros, uma infraestrutura mais integrada poderia reduzir parte da fricção operacional existente nos pagamentos internacionais.

Porém, não existe atualmente um Pix internacional universal que permita ao comprador brasileiro pagar qualquer fornecedor estrangeiro diretamente da mesma forma que realiza um Pix nacional.

A interoperabilidade internacional continua sendo uma frente de desenvolvimento e estudo.

Segurança ganha ainda mais importância no Pix empresarial

Quanto maior o volume movimentado pelo Pix, maior também é a importância dos mecanismos de prevenção e recuperação relacionados a fraudes.

O Banco Central destaca no relatório uma série de avanços regulatórios, operacionais e tecnológicos implementados nos últimos anos.

Entre eles estão:

  • aprimoramentos do Mecanismo Especial de Devolução (MED);
  • maiores exigências para instituições participantes;
  • melhorias no monitoramento de transações;
  • ampliação do compartilhamento de informações de segurança;
  • mecanismos voltados à identificação e tratamento de suspeitas de fraude.

O MED também passou por uma evolução importante com o chamado MED 2.0, criado para ampliar a capacidade de rastreamento e recuperação de valores em situações elegíveis de fraude.

Para empresas, segurança não deve ser tratada apenas como responsabilidade da instituição financeira.

Quais cuidados sellers e compradores B2B devem adotar?

Operações empresariais podem envolver valores maiores e um número elevado de pagamentos. Por isso, processos internos também precisam acompanhar a evolução tecnológica.

Algumas práticas importantes incluem:

  • confirmar os dados do recebedor antes do pagamento;
  • evitar realizar pagamentos com base apenas em mensagens recebidas por WhatsApp ou e-mail;
  • validar alterações de chave Pix diretamente com o fornecedor;
  • estabelecer níveis de autorização para pagamentos de maior valor;
  • restringir acessos às contas financeiras;
  • manter conciliação entre pedidos, notas fiscais e pagamentos;
  • acompanhar movimentações suspeitas;
  • guardar comprovantes e documentos relacionados às operações.

A facilidade do Pix reduz etapas do pagamento, mas também exige controles para evitar que a velocidade da transação amplifique um erro ou uma fraude.

O que muda para compradores B2B?

Para compradores empresariais, a evolução do Pix pode tornar determinadas etapas financeiras mais integradas.

Uma empresa que realiza compras recorrentes de estoque precisa administrar:

  • fornecedores;
  • pedidos;
  • datas de pagamento;
  • capital de giro;
  • conciliação;
  • reposição;
  • fluxo de caixa.

Novos modelos de cobrança e maior integração do Pix com outros serviços financeiros podem simplificar parte dessa jornada.

Mas facilidade de pagamento não substitui análise comercial.

Antes de transferir recursos para comprar estoque, o comprador ainda precisa saber se o produto possui demanda, se o preço de aquisição faz sentido, qual será sua margem e em quanto tempo o capital poderá retornar para a operação.

O que muda para sellers de marketplace?

Para sellers, o Pix pode ganhar importância em duas pontas diferentes.

De um lado, está o recebimento de vendas e a gestão financeira da empresa. De outro, está o pagamento de fornecedores e a reposição do estoque.

Com o avanço de funcionalidades de crédito e cobrança, essas duas etapas podem se tornar cada vez mais conectadas.

Uma operação saudável, porém, precisa evitar uma armadilha: utilizar facilidade de crédito como justificativa para comprar mercadoria sem análise.

Antes de financiar uma reposição, o seller precisa avaliar:

  • giro do SKU;
  • estoque atual;
  • margem estimada;
  • prazo de venda;
  • custo do crédito;
  • prazo de pagamento;
  • capacidade de absorver uma queda de demanda.

Crédito pode melhorar o capital de giro. Também pode aumentar o risco quando financia estoque parado ou produtos com rentabilidade insuficiente.

Pix mais avançado muda a importância da gestão de caixa?

Na realidade, pode tornar essa gestão ainda mais importante.

Quanto mais rápidos forem pagamentos, recebimentos e acesso a instrumentos financeiros, maior será a capacidade de movimentar capital.

Mas velocidade financeira não significa automaticamente eficiência.

Uma empresa pode receber rapidamente e continuar com problemas de caixa caso compre estoque demais, trabalhe com margens reduzidas ou utilize crédito com custo incompatível com sua rentabilidade.

Por isso, ferramentas financeiras precisam ser combinadas com controle comercial.

Por que isso importa para a Sellerando e seus compradores?

A Sellerando atua justamente em uma etapa anterior ao pagamento: a decisão de compra B2B.

Na Sellerando, empresas podem descobrir produtos, encontrar fornecedores, comparar oportunidades e realizar pedidos diretamente com os fornecedores responsáveis.

Os fornecedores definem suas próprias condições comerciais e são responsáveis pela venda, pelo faturamento e pelo envio dos produtos. A Sellerando facilita, organiza e acompanha o processo de compra.

À medida que ferramentas como o Pix tornam a movimentação financeira mais eficiente, a qualidade da decisão anterior ganha ainda mais importância.

Pagar mais rápido não torna uma compra automaticamente melhor. Ter crédito disponível não transforma qualquer SKU em uma boa oportunidade.

O comentário da Sellerando

Na visão da Sellerando, a evolução do Pix mostra que a infraestrutura financeira utilizada pelas empresas está se tornando cada vez mais integrada às rotinas de cobrança, crédito e gestão de recebíveis.

Para sellers, o Pix em Garantia é particularmente interessante porque pode criar novas possibilidades para empresas que precisam financiar capital de giro e reposição de estoque.

Mas essa facilidade precisa ser acompanhada de disciplina.

O seller deve comparar o custo financeiro com a rentabilidade esperada do produto. Comprar estoque utilizando crédito só faz sentido quando existe uma estrutura de demanda, margem e giro capaz de sustentar essa decisão.

Para compradores B2B, o princípio é semelhante: quanto mais simples se torna pagar, maior deve ser o cuidado para decidir corretamente o que comprar, de qual fornecedor e em qual quantidade.

O Pix pode tornar o dinheiro mais eficiente. A rentabilidade continua começando na qualidade da decisão de compra.

Conclusão

O Pix alcançou uma escala que o transformou em parte importante da infraestrutura financeira brasileira. Em 2025, foram quase 80 bilhões de transações, mais de R$ 35 trilhões movimentados e 12,8 milhões de empresas utilizando o sistema.

Agora, o Banco Central prepara uma nova etapa.

Pix em Garantia, novas formas de cobrança, maior integração financeira, iniciativas envolvendo duplicatas, avanços de segurança e estudos sobre interoperabilidade internacional indicam que o sistema pode ocupar um espaço cada vez maior nas operações empresariais.

Para sellers e compradores B2B, algumas dessas funcionalidades podem representar novas alternativas para recebimento, cobrança e capital de giro. Outras ainda precisam avançar antes de produzir efeitos práticos.

O ponto principal é não confundir infraestrutura financeira com estratégia comercial.

Receber melhor ajuda. Ter acesso a crédito ajuda. Pagar de forma mais simples ajuda. Mas escolher corretamente produtos, fornecedores, custos e quantidades continua sendo essencial para uma operação saudável.

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Perguntas frequentes

Quantas transações Pix foram realizadas em 2025?

Segundo o Banco Central, o Pix registrou quase 80 bilhões de transações em 2025, movimentando mais de R$ 35 trilhões. Ao final do período analisado, 12,8 milhões de empresas já haviam utilizado o sistema.

O que é o Pix em Garantia?

O Pix em Garantia é uma funcionalidade em desenvolvimento que permitirá utilizar fluxos futuros de recebimentos via Pix como garantia em operações de crédito empresarial. O Banco Central afirma que um dos objetivos é criar condições para reduzir o custo do crédito para empresas.

O Pix em Garantia já está disponível?

Não. Nas informações oficiais consultadas, a funcionalidade continua em desenvolvimento. Portanto, ainda não deve ser tratada como uma modalidade de crédito disponível de forma geral para empresas.

O Pix poderá ser usado em pagamentos internacionais?

O Banco Central mantém a interoperabilidade internacional entre as frentes estudadas para a evolução do Pix. Isso pode permitir no futuro maior integração com sistemas estrangeiros, mas não significa que já exista hoje um Pix internacional universal disponível para qualquer pagamento B2B.

O que é cobrança híbrida no Pix?

É uma iniciativa para permitir que uma cobrança apresente, em uma mesma estrutura, a opção de pagamento pelo QR Code do Pix e por outro arranjo, como boleto. O tema faz parte da agenda evolutiva e regulatória do sistema.

O que muda na segurança do Pix?

O Banco Central vem ampliando mecanismos de prevenção e recuperação relacionados a fraudes, incluindo aprimoramentos do MED, novas exigências para participantes e maior compartilhamento de informações de segurança. O MED 2.0 ampliou a capacidade de rastrear movimentações posteriores à transação originalmente fraudulenta.

Fontes

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