Casas Bahia faliu? Vendedores do marketplace devem se preocupar?
O Grupo Casas Bahia informou o fechamento de 298 lojas e apresentou pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em obrigações. O marketplace continua operando, mas sellers precisam acompanhar de perto repasses, logística, atendimento e a exposição financeira ao canal.
Equipe SellerandoPublicado em 17 de agosto de 2026Atualizado em 17 de agosto de 202610 min de leitura

O Grupo Casas Bahia informou o fechamento de 298 lojas físicas como parte da segunda fase de seu Plano de Transformação. Poucos dias depois da divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, a companhia também apresentou pedido de recuperação judicial para reorganizar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações.
Para quem vende dentro do marketplace da Casas Bahia, a pergunta mais importante é: o fechamento das lojas e a recuperação judicial significam o fim da operação para sellers?
A resposta, até o momento, é não. Não existe anúncio de encerramento do marketplace, e os canais oficiais destinados aos lojistas continuam disponíveis. Entretanto, a combinação entre redução da estrutura física, reestruturação financeira e queda recente do GMV de terceiros aumenta a necessidade de acompanhar a operação com atenção.
Para o seller, os principais pontos a observar agora são repasses, logística, devoluções, atendimento, desempenho das vendas e concentração financeira no canal.
O que aconteceu com a Casas Bahia?
Nos resultados do segundo trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia anunciou uma nova etapa de seu processo de transformação, com foco em geração de caixa, rentabilidade e redução de operações consideradas menos eficientes.
Entre as medidas está o fechamento de 298 lojas com baixa geração de caixa. A companhia afirmou que a estratégia busca redimensionar a operação e concentrar recursos nos canais e categorias considerados mais rentáveis.
No trimestre, o grupo registrou receita líquida de aproximadamente R$ 7 bilhões, crescimento de 1,6% sobre o mesmo período de 2025.
O resultado líquido, porém, foi fortemente negativo: prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões.
Segundo a companhia, cerca de R$ 9,1 bilhões desse resultado estão relacionados a efeitos contábeis não recorrentes associados ao redimensionamento da operação e não tiveram efeito no caixa do trimestre. Excluindo esses efeitos, o prejuízo líquido ajustado ficou em R$ 978 milhões.
Casas Bahia pediu recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões
Em 17 de agosto de 2026, tornou-se público o pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Casas Bahia à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
O pedido envolve aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações e empresas do grupo ligadas a diferentes áreas da operação, incluindo comércio eletrônico, logística e tecnologia.
A recuperação judicial é um instrumento destinado à reorganização das obrigações da empresa enquanto se busca preservar a continuidade da atividade empresarial. O pedido, portanto, não significa automaticamente que as lojas, o site ou o marketplace deixarão de funcionar.
Ao mesmo tempo, o processo muda o nível de risco que sellers, fornecedores e demais parceiros precisam acompanhar.
O marketplace da Casas Bahia vai acabar?
Até o momento, não existe anúncio oficial de encerramento do marketplace da Casas Bahia.
O portal destinado aos lojistas continua disponível, assim como as integrações de marketplace e os serviços relacionados à operação de vendedores terceiros.
Também é importante separar três componentes diferentes do negócio:
- lojas físicas: unidades destinadas principalmente à operação presencial e que também podem participar de estratégias omnichannel;
- 1P online: produtos do próprio estoque do Grupo Casas Bahia vendidos nos canais digitais;
- marketplace ou 3P: produtos de sellers parceiros comercializados nas plataformas online do grupo.
Fechar uma loja física, portanto, não remove automaticamente os anúncios de sellers do marketplace.
Isso não significa que as operações sejam totalmente independentes. Lojas, e-commerce, logística e marketplace fazem parte de uma estratégia omnichannel e podem compartilhar determinados processos e serviços.
O e-commerce cresce, mas o marketplace 3P recuou
Os próprios resultados do segundo trimestre ajudam a entender a situação.
O GMV total do e-commerce da companhia, considerando 1P e 3P, alcançou aproximadamente R$ 4,4 bilhões, crescimento de 6,2% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Esse avanço, entretanto, foi puxado pelo estoque próprio da companhia. O GMV do 1P online cresceu 15,3%, enquanto o GMV do marketplace 3P caiu 6,7%, para aproximadamente R$ 1,6 bilhão.
A receita bruta associada ao 3P ficou em R$ 210 milhões, retração de 2,4% na comparação anual. Por outro lado, o take rate informado pela companhia passou de 12,5% para 13,1%.
Os números mostram que o digital continua relevante para o grupo, mas também deixam claro que crescimento do e-commerce não significa necessariamente crescimento dos vendedores parceiros.
Por que isso importa para sellers?
O fechamento de lojas físicas não encerra automaticamente o marketplace, mas uma reestruturação dessa dimensão pode produzir consequências indiretas para quem utiliza o canal.
O seller precisa olhar além do número de lojas fechadas. A questão principal é entender como a nova estrutura poderá afetar a experiência do cliente, os serviços logísticos, o suporte ao lojista e, principalmente, o fluxo financeiro da operação.
Para vendedores com forte dependência da Casas Bahia, acompanhar esses indicadores se torna ainda mais importante.
1. Menos lojas podem mudar parte da operação omnichannel
As lojas físicas não funcionam apenas como pontos de venda presencial.
Na estrutura do Grupo Casas Bahia existem modalidades nas quais compras online podem ser retiradas em lojas, além de unidades que podem atuar como pontos relacionados à movimentação e expedição de produtos.
Por isso, o fechamento de determinadas unidades pode alterar a disponibilidade desses serviços em algumas regiões.
Isso não significa que todas as 298 lojas exerciam funções logísticas ou que todas as regiões sofrerão mudanças.
O impacto depende de quais unidades foram encerradas, dos serviços existentes em cada uma e de como a companhia reorganizará sua estrutura.
2. Logística merece acompanhamento
A Casas Bahia oferece aos lojistas soluções logísticas próprias, incluindo modalidades de postagem, coleta e gestão de entregas.
Com uma rede física menor, pode haver mudanças na localização de pontos utilizados em determinados fluxos logísticos.
O seller deve acompanhar principalmente:
- pontos de postagem;
- modalidades de coleta;
- prazos de expedição;
- etiquetas;
- transportadoras;
- endereços para devolução;
- retirada de pedidos;
- alterações comunicadas pelo portal do lojista.
Não é recomendável alterar a operação com base apenas no fechamento das lojas. O mais seguro é verificar os comunicados e regras aplicáveis ao modelo logístico utilizado pelo próprio seller.
3. O atendimento pode ficar mais importante durante a transição
Uma reorganização envolvendo centenas de unidades, redução de custos e recuperação judicial aumenta a quantidade de processos internos que precisam ser ajustados simultaneamente.
Para vendedores, isso significa que vale acompanhar de forma mais rigorosa a qualidade do suporte recebido.
Alguns indicadores úteis são:
- tempo de resposta dos chamados;
- tempo para solução de problemas;
- cancelamentos;
- contestações;
- devoluções;
- erros de integração;
- divergências financeiras;
- mudanças operacionais comunicadas pela plataforma.
Notas fiscais, comprovantes de postagem e entrega, extratos, relatórios de pedidos e protocolos de atendimento também devem ser preservados.
4. Repasses aos sellers são o ponto mais sensível
Para quem vende em um marketplace, faturar é apenas uma parte da operação. O dinheiro precisa efetivamente chegar ao caixa do vendedor dentro das condições previstas.
Em março de 2026, uma reportagem do Valor Econômico apontou atrasos em repasses a lojistas do marketplace e problemas relacionados a pagamentos via Pix.
A Casas Bahia contestou a informação em resposta oficial à Comissão de Valores Mobiliários. Na ocasião, a companhia afirmou estar em dia com a totalidade dos repasses devidos aos sellers e disse que atrasos pontuais anteriores relacionados a questões sistêmicas com Pix haviam sido resolvidos.
Esse esclarecimento foi divulgado em 6 de março, antes do atual pedido de recuperação judicial.
Até o momento, não há anúncio oficial de suspensão generalizada dos repasses aos sellers por causa do pedido de recuperação.
Mesmo assim, diante da mudança no cenário financeiro, o vendedor deve acompanhar seus recebíveis com maior frequência.
O que conferir nos repasses?
- valor total a receber;
- pedidos já entregues;
- datas previstas para pagamento;
- valores efetivamente creditados;
- divergências entre pedidos e extratos;
- eventuais atrasos;
- saldo financeiro acumulado no canal.
Caso um seller possua créditos vencidos ou dúvidas sobre eventual enquadramento de recebíveis no processo de recuperação judicial, a avaliação precisa considerar a natureza e a data de cada obrigação. Nesses casos, orientação jurídica ou contábil individual pode ser necessária.
5. A queda do marketplace 3P também merece atenção
A discussão não deve ficar limitada ao risco financeiro.
No 2T26, o GMV de vendedores terceiros caiu 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No primeiro trimestre, o marketplace já havia registrado retração de 3%.
Isso significa que o seller também precisa avaliar se o canal continua fazendo sentido comercialmente para sua própria operação.
Entre os indicadores que podem ser acompanhados estão:
- volume de pedidos;
- GMV da própria loja;
- ticket médio;
- conversão;
- margem líquida;
- custo de publicidade;
- cancelamentos;
- devoluções;
- regularidade dos repasses.
Vendedores devem sair do marketplace da Casas Bahia?
Não existe uma resposta única.
O pedido de recuperação judicial não significa automaticamente que todo seller deve interromper seus anúncios.
Sair imediatamente pode fazer uma operação perder vendas de um canal que continua ativo. Por outro lado, manter exposição financeira elevada sem acompanhar a situação também aumenta o risco.
Uma decisão mais racional deve considerar os dados específicos da loja.
Se as vendas continuam rentáveis, os pagamentos estão ocorrendo conforme previsto e a operação mantém níveis aceitáveis de entrega e atendimento, o seller pode decidir continuar utilizando o canal.
Se surgirem atrasos recorrentes, queda importante de vendas, aumento de problemas operacionais ou crescimento excessivo dos valores a receber, pode ser necessário reduzir gradualmente a exposição.
Como reduzir o risco da operação?
Acompanhe os recebimentos com frequência
Compare os valores previstos com aqueles efetivamente creditados e investigue divergências rapidamente.
Evite concentração excessiva em um marketplace
Quanto maior a dependência de uma única plataforma, maior o impacto de qualquer mudança operacional, financeira ou comercial naquele canal.
Vender em diferentes marketplaces e manter canais próprios pode reduzir essa concentração.
Controle o estoque por canal
Evite imobilizar uma quantidade excessiva de mercadorias exclusivamente para uma plataforma quando os produtos também podem ser vendidos em outros canais.
Preserve documentos
Mantenha organizados:
- notas fiscais;
- pedidos;
- comprovantes de postagem;
- comprovantes de entrega;
- extratos;
- relatórios financeiros;
- protocolos de atendimento.
Proteja o capital de giro
O seller precisa considerar não apenas quanto vende, mas quanto permanece financeiramente exposto até receber.
Um canal pode continuar gerando pedidos e, ainda assim, criar pressão sobre o caixa caso o prazo entre compra do estoque, venda e recebimento fique longo demais.
Não compre estoque olhando apenas para o faturamento
Em momentos de maior incerteza, a compra precisa considerar a capacidade de redirecionar mercadorias para outros marketplaces.
Produtos com demanda em diferentes canais podem oferecer maior flexibilidade operacional do que itens cuja venda depende quase exclusivamente de uma única plataforma.
O fechamento das lojas pode fortalecer o digital?
É uma possibilidade, mas não uma consequência automática.
A própria Casas Bahia afirma que a segunda fase de sua transformação prioriza canais e categorias de maior rentabilidade.
Ao retirar operações físicas deficitárias, a empresa pode reduzir custos e concentrar capital nas áreas que considera mais eficientes.
Ao mesmo tempo, os resultados do 2T26 mostram uma diferença importante: o 1P online cresceu, enquanto o marketplace 3P recuou.
Para que a reestruturação resulte em um marketplace mais forte, a companhia precisará manter elementos fundamentais para os sellers, como:
- tráfego qualificado;
- tecnologia estável;
- integrações funcionando;
- logística eficiente;
- suporte ao lojista;
- repasses previsíveis;
- boa experiência para o consumidor.
Os próximos resultados e comunicados da companhia serão importantes para avaliar como essa estratégia será executada.
O que esse caso ensina para vendedores de marketplace?
A situação da Casas Bahia reforça um princípio importante para qualquer operação multicanal: estar dentro de uma grande plataforma não elimina o risco operacional ou financeiro.
Marketplaces oferecem audiência, tecnologia, meios de pagamento, logística e infraestrutura comercial, mas cada canal possui sua própria estratégia, situação financeira e regras.
Por isso, o seller precisa avaliar continuamente não apenas quanto vende em determinado marketplace, mas também:
- quanto recebe;
- quando recebe;
- quanto custa vender;
- quanto estoque está comprometido;
- quanto o canal representa do faturamento;
- quanto seria possível redirecionar para outros canais.
O comentário da Sellerando
Na visão da Sellerando, o fechamento de 298 lojas não deve ser interpretado automaticamente como o encerramento do marketplace da Casas Bahia. A operação 3P continua sendo apresentada nos canais oficiais do grupo e faz parte de sua estrutura digital.
O pedido de recuperação judicial, entretanto, aumenta a importância de gestão de risco por parte do seller.
A questão não está apenas em saber se o marketplace continuará online. O vendedor precisa acompanhar se sua operação continua recebendo dentro do previsto, entregando corretamente, resolvendo problemas e gerando resultado.
Esse cenário também reforça a importância de diversificar tanto os canais de venda quanto as opções de fornecimento.
Na Sellerando, empresas podem descobrir produtos, encontrar fornecedores, comparar oportunidades e realizar pedidos diretamente com os fornecedores responsáveis, ampliando as alternativas para abastecer operações que vendem em diferentes marketplaces.
Os fornecedores são responsáveis pela venda, pelo faturamento e pelo envio de seus produtos, enquanto a Sellerando facilita, organiza e acompanha o processo de compra B2B.
Quanto menor a concentração em um único canal, maior a capacidade do seller de adaptar sua operação quando o mercado muda.
Conclusão
O Grupo Casas Bahia atravessa uma das reestruturações mais relevantes de sua história recente. A companhia informou o fechamento de 298 lojas, registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026 e apresentou pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações.
Isso não significa o encerramento automático do marketplace. O canal de terceiros continua operando e os serviços destinados aos sellers permanecem disponíveis.
Mas o cenário exige acompanhamento.
Para quem vende na Casas Bahia, os próximos meses devem ser acompanhados principalmente por quatro indicadores: vendas, repasses, logística e atendimento.
A decisão de permanecer, reduzir ou ampliar a operação deve ser baseada nesses dados — e não apenas nas manchetes.
Diversificar canais, controlar o estoque, acompanhar recebíveis e preservar capital de giro são práticas importantes em qualquer operação de marketplace. Em um processo de reestruturação desse porte, tornam-se ainda mais relevantes.
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Ver mais vendidosPerguntas frequentes
A Casas Bahia fechou 298 lojas?
Sim. Na apresentação dos resultados do 2T26, o Grupo Casas Bahia informou que 298 lojas com menor geração de caixa foram fechadas no contexto da segunda fase de seu Plano de Transformação.
A Casas Bahia pediu recuperação judicial?
Sim. O Grupo Casas Bahia apresentou pedido de recuperação judicial à Justiça de São Paulo envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em obrigações. O pedido foi divulgado em 17 de agosto de 2026 e busca permitir a reorganização financeira mantendo as operações.
O marketplace da Casas Bahia vai fechar?
Não existe, até o momento, anúncio de encerramento do marketplace. Os portais oficiais para sellers e as APIs de integração continuam disponíveis. Além disso, o Grupo Casas Bahia reportou R$ 1,6 bilhão de GMV no marketplace 3P no 2T26, apesar da queda anual de 6,7%.
O fechamento das lojas pode afetar entregas e retiradas?
Pode haver efeitos em determinadas regiões, mas isso depende das funções de cada unidade fechada. A estrutura omnichannel do grupo inclui retirada de compras online em lojas e unidades que podem atuar como hubs de expedição. Isso não significa que todas as lojas encerradas exerciam essas funções.
A Casas Bahia está atrasando os pagamentos dos sellers?
Uma reportagem de março de 2026 apontou atrasos, mas a Casas Bahia respondeu oficialmente à CVM afirmando que, naquele momento, estava em dia com todos os repasses devidos aos lojistas e que problemas pontuais anteriores ligados ao Pix haviam sido resolvidos. Essa declaração é anterior ao atual pedido de recuperação judicial, por isso sellers devem continuar acompanhando seus próprios recebíveis.
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